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Exegese e eisegese: tirar do texto ou enfiar nele

Estudo de demonstração

Escrito para exercitar a plataforma, não a partir de uma aula do curso.

Em resumo

A diferença entre as duas palavras é uma preposição: uma tira do texto, a outra coloca dentro dele. O problema é que ninguém faz eisegese de propósito — ela é sempre o que o outro está fazendo.

Duas preposições

Exegese vem do grego para "conduzir para fora". Eisegese troca a preposição: "conduzir para dentro". Uma extrai do texto o que ele diz; a outra introduz nele o que já se queria encontrar.

Dito assim, parece fácil escolher. Não é — e a dificuldade não é de método, é de posição. Ninguém acorda decidido a fazer eisegese. Ela é sempre o que o outro está fazendo com o texto.

Por que a boa vontade não basta

Toda leitura chega ao texto trazendo alguma coisa: a língua que se fala, a igreja onde se aprendeu, as perguntas que a vida está fazendo naquele momento. Isso não é defeito, é a condição de qualquer leitura.

O que separa a exegese da eisegese não é a ausência dessa bagagem — é o que acontece quando o texto contraria a bagagem.

O teste, em uma pergunta

Quando foi a última vez que um texto bíblico te obrigou a mudar de ideia sobre alguma coisa que você já defendia? Se a resposta for "nunca", a leitura pode estar funcionando como espelho, e não como interlocutor.

Três hábitos que produzem eisegese sem querer

Versículo solto. Um versículo é uma divisão de referência criada no século XVI, não uma unidade de sentido. Frase arrancada de parágrafo diz o que quiserem que ela diga.

Palavra "no original". Ir ao grego ou ao hebraico ajuda quando se pergunta o que a palavra significava naquele uso. Vira truque quando se escolhe, entre os sentidos possíveis, o que serve à conclusão já pronta — com a autoridade extra de quem citou o original.

Pergunta errada primeiro. Perguntar "o que isto significa para mim" antes de "o que isto significou para quem o escreveu e para quem o recebeu" inverte a ordem. A aplicação é o destino da leitura, não o ponto de partida.

O que a exegese exige

Ler o parágrafo inteiro, e depois o livro inteiro. Perguntar quem escreveu, para quem, e contra o quê — quase todo texto do Novo Testamento responde a alguma coisa que estava acontecendo.

E, principalmente: estar disposto a sair da leitura com uma conclusão que você não tinha ao entrar. Esse é o único teste que a boa vontade não passa sozinha.

Aplicação prática

Pegue um versículo que você cita com frequência. Leia o parágrafo inteiro em volta dele, depois o capítulo. Pergunte-se se o que você entende dele continua de pé quando ele volta para o lugar de onde saiu.

Perguntas de reflexão

  1. Qual bagagem você traz para o texto? Nomeie três coisas — tradição, formação, pergunta de vida atual.
  2. Existe algum texto bíblico que você evita? O que essa evasão diz sobre o que você não quer que a leitura mude?
  3. Aplicação antes de interpretação inverte a ordem — mas interpretar sem nunca aplicar também é uma forma de fugir. Onde está o seu risco maior?

Referências

  • FEE, Gordon; STUART, Douglas. Entendes o que lês?
  • OSBORNE, Grant. A espiral hermenêutica.

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